Resenha do livro « O discreto charme do intestino » de Giulia Enders
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Precisamos falar sobre o nosso intestino. Estamos acostumados a exaltar o nosso complexo, racional e poderoso cérebro, contrapondo-o ao nosso apaixonado e volúvel coração herunterladen. A relação entre os dois é até comicamente explorada pelo ilustrador Nick Seluk, que desenvolve tiras de quadrinhos hilárias em que as duas personagens estão sempre em desacordo, ilustrando os apuros que o conflito nos traz herunterladen. Deixamos de lado os outros órgãos, principalmente aqueles que nos causam certo desconforto e até constrangimento no dia a dia. Seu intestino pode te deixar em situações embaraçosas no dia-a-dia, e não tem o glamour de um cérebro ou coração pdf gratisen windows 7. Porém, ele é tão supreendentemente complexo, elegante e sofisticado como seus irmãos famosos.

A área da medicina que estuda nosso trato intestinal se chama gastrenterologia youtube converter kostenlosen neue version. Segundo a autora do livro, é uma área que foi negligenciada durante muito tempo na história da medicina moderna ocidental. Apenas recentemente é que estamos começando a compreender sua importância em nossa saúde e todas particularidades e sutilezas deste órgão tão importante em nossas vidas, aonde reside dois terços de nosso sistema imunológico videos aus dem internet auf iphone downloaden. Ele produz mais de 20 hormônios essenciais para nós, além de digerir e transformar batata frita, maçã, bifes e todo tipo de alimento em moléculas pequenas o suficiente para atravessarem suas paredes e serem transformadas em energia e blocos de construção por nossas células appsen apple.

A primeira parte do livro traz um relato técnico e divertido sobre coisas que evitamos falar no dia-a-dia, apesar de serem atividades essenciais para o nosso bem estar e qualidade de vida teams pictures. O que acontece quando fazemos cocô? Qual a melhor posição para fazê-lo? Estamos sentando corretamente na privada? Giulia descreve de forma leve (e até demasiadamente infantilizadora, no momento em que antropomorfiza as fezes, como que para tornar mais palatável o assunto) o caminho do alimento desde que ele adentra nossa boca e seus elementos mais importantes (dentes, língua, glândulas, amídalas, etc) e vai adentrando em nosso corpo numa aventura de autoconhecimento, passando pelo esôfago, saco gástrico, intestino delgado, grosso, até a saída, descrevendo inclusive as diferentes possíveis fisiologias de nossas fezes, segundo a classificação de 1997 archicad herunterladen student.

Nos explica, inclusive com ilustrações, a importância de uma alimentação saudável (você sabia, por exemplo, que a gordura ingerida, após digerida em partes menores, passa diretamente do intestino delgado para o coração -sem ser filtrada por nosso fígado-, através dos nossos vasos linfáticos windows 10 cd herunterladen? Confesso que esta informação me deixou mais consciente – e crítico – das besteiras que costumo ingerir…

Terminada a explanação fisiológica, o livro passa por uma parte extremamente interessante sobre o que está sendo descoberto agora na ciência herunterladen. Ela vai falar da relação de doenças como obesidade, alergias, intolerâncias aos alimentos, doenças auto-imunes, depressão e outras patologias psicológicas, Alzheimer, entre diversas outras, tem origem ou relação direta com um desequilíbrio intestinal. Grande parte desta doenças foram, segundo a autora, tratadas de forma errada, no momento em que estava-se procurando atacar os sintomas, sem compreender totalmente a causa. A ciência deu um passo muito importante neste sentido, pois, mesmo ainda não tendo elucidado todos detalhes dos mecanismos envolvidos nesses distúrbios, passa agora a desvendar a origem deles. Quando a autora começa a nos contar sobre o sistema nervoso do intestino, entendemos o porquê do intestino ser considerado um segundo cérebro e principalmente como o ele influencia o cérebro. É chegada a hora de fazermos as pazes e darmos mais valor a este órgão que costumamos maltratar, sem ter a consciência de que ele faz parte de nossa consciência.

Para mim, o livro fica realmente intrigante a partir do terceiro capítulo, aonde entram os microrganismos e a visão do ser humano como um ecossistema. Neste sentido, o livro está muito relacionado com o 10% humano da Alanna Collen, sobre o qual já escrevi neste espaço. Ela vai falar das bactérias boas e más que habitam nosso corpo, sobre as que apenas fedem e cheiram (a imensa maioria, presentes porém apáticas) e as que são boas e ruins, como a H. pylori. Ela termina o livro com uma discussão muito franca e equilibrada sobre o uso de antibióticos, probióticos e prébioticos.

Pessoalmente, trabalhando diretamente com este assunto, seja dando aulas ou cozinhando na Companhia dos Fermentados, achei inicialmente que o livro fosse apenas mais um destes best sellers que simplificam e infantilizam os assuntos, nunca indo a fundo na questão. Estava errado. A obra entrou para a lista as que mudram e moldaram minha forma de encarar o corpo e o mundo, procurando trilhar este árduo caminho do meio e encontrar o equilíbrio tênue entre os nossos afoitos desejos e a racionalidade que muitas vezes restringe nossas ações. Recomendo!

 

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