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Quem gosta de alimentos orgânicos ou apenas curte comer de maneira natural já deve ter ouvido falar sobre a kombucha (se pronuncia kom-bu-tchá), uma bebida milenar, bastante consumida na culinária oriental, e que é, basicamente, um chá verde ou preto fermentado. Gaseificada, é tipo um refrigerante à la Bela Gil, com pouco açúcar e livre de conservantes e corantes, além de ser rica em propriedades nutritivas.

“Esse processo de fermentação torna o chá um probiótico, com microrganismos ‘do bem’, que previnem a colonização de bactérias indesejáveis [no intestino] e atuam controlando a imunidade da mucosa gástrica, prevenindo a invasão de agentes infecciosos”, afirma o médico nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia).

Ainda segundo o médico, as enzimas presentes no chá dissociam as proteínas, gorduras e carboidratos, o que agiliza o processo digestivo. “A fermentação também ajuda no processo de digestão, porque você delega a função de digerir aos microrganismos”, acrescenta Fernando Goldenstein Carvalhaes, da Companhia dos Fermentados. Físico, ele comercializa kombucha há seis meses e estuda alimentos fermentados há oito anos.

As bactérias e leveduras ainda são as responsáveis pelas funções “curativas” do chá. O biólogo Lucas Montanari produz, consome e dá cursos sobre kombucha há dois anos. Para ele, a mistura tem efeitos medicinais. “Grande parte da nossa resposta imune está ligada ao intestino, desde certas alergias, deficiências nutricionais, colesterol alto e mais um monte de coisa pode estar relacionada a uma má colonização intestinal. O chá vai ajudar a minimizar esses problemas”, afirma Montanari.

Carvalhaes, entretanto, é mais cético em relação aos benefícios da kombucha. “Não existe chá emagrecedor ou detox. E kombucha não é remédio para nada, é apenas uma alternativa saudável a um refrigerante”, afirma.

Segundo a Anvisa, “não existem alegações sobre benefícios à saúde autorizadas para esses produtos [chás]”. Ainda de acordo com o órgão, os chás comercializados como alimentos não podem indicar propriedades terapêuticas ou medicamentosas.

Efeito emagrecedor

Um dos especialistas concordam que kombucha ajuda a emagrecer, mas não faz milagres. “Tomar o chá não adianta se a pessoa não fizer um exercício físico nem tiver uma alimentação saudável”, afirma Montanari. A bebida pode auxiliar na digestão e na absorção de nutrientes. “A pessoa come menos e absorve mais.” Além disso, a cafeína e o complexo B ajudam a aumentar a disposição.

Para o biólogo, o chá pode ser uma porta de entrada para uma alimentação mais saudável. “Muitas pessoas vêm fazer o curso, porque querem fazer um refrigerante mais gostosinho e acabam descobrindo toda a doutrina da alimentação viva [alimentos em seu estado natural]”, diz.

O consumo em grandes quantidades não é indicado. “Por ser rico em complexo B associado à cafeína, dá muita disposição e a pessoa pode acabar ficando viciada nessa sensação e isso não é bom”, afirma Montanari. O nutrólogo concorda: “Nada em excesso faz bem e kombucha não é substituta para água. Cerca de 200 ml por dia é suficiente”.

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