Sobre responsabilidade ambiental: A pegada de carbono da Companhia

É muito provável que estejamos cada vez mais próximos de um colapso ambiental planetário e está cada vez mais evidente a responsabilidade da humanidade na ativação desse desastre. Estamos vivendo uma crise do próprio modo como vivemos: nossos hábitos de vida não são o que os evolucionistas chamam de Estratégias Evolutivamente Estáveis (EEEs). O termo EEEs aponta para comportamentos adotados pelos seres vivos que devem “funcionar” tanto a curto quanto a longo prazo na longa escala temporal da evolução, ou seja, não levem a espécie à extinção. E, ao que tudo indica, não estamos trilhando este caminho seguro.

Carl Sagan, em seu livro “Contato” (que também virou filme, vale a pena), coloca uma pergunta crucial na fala da sua personagem principal, a astrônoma que deveria se encontrar com uma civilização alienígena extremamente avançada: – “Como vocês sobreviveram à juventude tecnológica?”. Com isto, ele estava querendo discutir justamente o fato de sermos aparentemente muito desenvolvidos, porém não o suficiente para utilizar nossa tecnologia de forma racional.

Carros, polímeros sintéticos, combustíveis fósseis, energia nuclear: todos eles representam possibilidades enormes de desenvolvimento e melhoria de qualidade de vida de toda população mundial. Porém a informação científica que está na origem de cada uma dessas tecnologias é aplicada de tal forma que muitas vezes se torna nociva. Nossas cidades tiveram seu urbanismo planejado para os carros, e não para pedestres. Nossas sacolas plásticas são práticas, mas estão boiando nos mares e entupindo o estomago dos animais marinhos (e voltando para nossa mesa). Os combustíveis fósseis estão ajudando a aquecer a atmosfera do nosso planeta. A energia nuclear, teorizada pelo pacifista Albert Einstein, teve seu primeiro uso não para o acesso à energia barata por todas nações da terra, e sim para frisar o final na segunda guerra, em Hiroshima e Nagazaki.

Estas são todas questões angustiantes, para as quais não podemos dar as costas. Os governos dos grandes países desenvolvidos estão começando a mudar sua postura em relação às emissões de carbono que induzem às mudanças climáticas. Não o fazem porque de repente se sensibilizaram com a questão e estão pensando nas futuras gerações, e sim por que aquecimento global desde já custa muito caro. Em realidade, é mais caro que o crescimento da industrialização que o origina. Além dos gastos em saúde pública, há um enorme êxodo de populações ocorrendo em diversas partes do mundo, em função da desertificação causada pelo aquecimento global. O êxodo causa guerras, ataques terroristas e caos no mundo capitalista dito “civilizado”.

Cada cidadão, um tanto perplexo com esse rumo desastroso, muitas vezes se pergunta o que fazer. E há, em realidade, ações que estão a nosso alcance. De alguma forma precisamos mudar nosso estilo de vida, que no mundo ocidental é marcado pelo consumo. E podemos fazer isso.

Podemos escolher consumir diretamente dos pequenos produtores, que geram muitos empregos e que, muitas vezes estão próximos de nós.  As grandes corporações, que avassalam o mercado com seu grande poder de “barganha”, em realidade bloqueiam o acesso dos pequenos produtores rurais, não conseguem vender seus artigos para grandes cadeias de supermercados – os preços impostos são abusivos, a logística de acesso é impraticável… Temos que ficar antenados com o que está sendo produzido próximo de nós, em nosso bairro, em nossa cidade, em nosso país, e não na China por exemplo.

Importamos todo tipo de artigo de outros países, vindos de longe, sem nos darmos conta (sem fazermos a conta) do quanto esta prática é nociva, porque exige transporte de longa distância, consumindo energia e emitindo poluição (principalmente na forma de emissão de carbono para a atmosfera).

Nos próximos posts, vamos falar sobre as práticas da Companhia dos Fermentados: como nós fazemos para diminuir (se não zerar) o que chamamos de pegada de carbono, ou seja, a quantidade de carbono que nossa produção e distribuição geram. Todas estas são práticas simples que esperamos poder influenciar nossos clientes e parceiros produtores. Entendemos que cabe a cada indivíduo questionar e consumir conscientemente de empresas que adotem estas práticas e o façam com transparência. É pensar globalmente e agir localmente.

A Companhia dos Fermentados recicla, composta, tem a opção de entrega com emissão zero de carbono (via bike) e reutiliza as garrafas, inclusive incentivando os clientes oferecendo desconto para as garrafas que são retornadas. Vamos tratar de cada uma delas nos próximos posts, e mais pra frente, vamos falar sobre responsabilidade social. Bom consumo consciente para todos 🙂

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